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| Borra Assassina |
| 08-04-2005 08:06 |
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Um dia ao dar partida no seu Peugeot 206 com quase 50 mil km, a médica Rachel ouviu um barulho estranho. "Era um tec-tec alto que eu nunca tinha ouvido antes". Seu carro estava sofrendo de uma doença cada vez mais frequente na frota brasileira: a borra de óleo, uma solidificação do lubrificante, que ganha consistencia pastosa.A incidencia deste problema é mais comum nos motores mais recentes, principalmente os multiválvulas.
Antes de 1996, 1997 eram raríssimos os casos de borra de óleo na minha ofocina. Hoje esse número subiu muito. Já cheguei a atender sete carros em um só mês", diz Ricardo Ramos, dono da Advanced Auto Center, de Campinas. Houve o caso também de um aposentado que perdeu o motor 1.0 16v de seu Seat Ibiza 2001 - o mesmo do Gol. Aos 40.000 quilometros, uma biela quebrou, abrindo um buraco no bloco. Os dois comandos de válvula e todas as outras partes móveis também ficaram danificadas. A causa? A temida borra. "Não apresentou nenhum sintoma. Só acendeu a luz do óleo, rodei alguns quilometros e o motor fez um ruído metálico e travou de vez", diz. O prejuizo foi alto: 3400 reais por um motor novo.
Algumas vezes há um alerta como no caso do Peugeot. Surgiu um barulho dos tuchos das valvulas, que já começavam a trabalhar com pouco óleo. Nesses casos, comando de válvula, mancais de bielas, bronzinas e virabrequins também são atingidos e podem começar a fazer ruídos., principal sintoma de um carro atingido pela borra de óleo. Quando atinge um estado avançado, o problema se agrava mais ainda. O óleo em estado pastoso dificulta que a bomba de óleo mantenha a pressão e esta passa a não lubrificar as partes baixas do motor. "Daí para o travamento do motor bastam alguns quilometros".
Hoje são 2 os principais fatores que disseminam a borra. Um é a adulteração dos combustíveis, que nas décadas passadas não era tão frequente. O outro são os motores mais modernos, que tornam qualquer deslize na manutenção mais perigoso que antes. Mas, antes de achar que seu carro pode ser o próximo, veja a seguir se você está num dos grupos de risco e aprenda a medicar-se contra a mais nova doença do mundo da graxa.
CAUSA 1 - FALTA DE CUIDADO COM O ÓLEO: O esquecimento da troca de óleo do motor, ou mesmo o adiamento desta troca e uma causa para o aparecimento da borra. A adoção de lubrificantes mais modernos, como os semisintéticos e sintéticos, também fez com que o motorista se tornasse mais relapso. Apesar de durar mais que o mineral, o de base sintética também sofre degradaão em condições severas.
Solução: Os especialistas recomendam trocar o óleo mineral a cada 5000 km. Para semi-sintéticos ou sintéticos a troca pode ser feita a cada 7000 km. Nos dois tipos vale o prazo de 6 meses, o que chegar primeiro. Nunca utiliza eum óleo de especificação inferior (como usar um SJ ou SH no lugar de um SL, mais avançado), nem troque o sintético pelo mineral. Faça também a troca do filtro de óleo a cada troca de óleo.
CAUSA 2 - GASOLINA ADULTERADA: É umas das grandes culpadas nessa história. "Nas análises em motores com borra de óleo, a preseça de substancias estranhas provenientes, provavelmente, da gasolina adulterada é frequente".
Solução: Só abasteça em postos de confiança, com controle de qualidade do combustível e de bandeira conhecida. Desconfie de preços baixos demais.
CAUSA 3 - USO SEVERO: é nas grandes cidades que o carro enfrenta o anda-para dos congestionamentos e roda percursos curtos, de menos de 10 km. Eis aí mais um vilão. No trafego lento, o óleo trabalha quente demais, diminuindo a vida útil. Nas viagens curtas, ele não chega à temperatura ideal de funcionamento, além de absorver parte da gasolina que não foi totalmente queimada.
Solução: Se você se encaixa numa das situações acima, considere as aplicações para uso severo, indicadas no manual de proprietário, o que geralmente significa trocar o óleo na metade da quilometragem normal.
CAUSA 4 - MANUTENÇÃO DO RADIADOR: Você nunca se lembra de checar o sistema de arrefecimento? Olha aí outro culpado. Quando o liquido do radiador não reduz a temperatura como deveria, a tarefa cabe ao óleo, que se degrada mais rápido. Isso acontece quando se usa, água pura sem aditivos específicos.
Solução: Nunca deixe o frentista completar a água do reservatório. Se o nível estiver baixo, pode haver um vasamento ou significa que está na hora de fazer uma limpeza ou troca do liquido. Substitua anualmente a água do radiador e utilize o aditivo e a proporção indicados no manual do proprietário.
CAUSA 5 - MOTOR DESREGULADO: Em uma mistura ar-gasolina inadequada, ou o oxigênio ou a gasolina sobrarão e serão absorvidos pelo óleo, aumentando a contaminação.
Solução: Mantenha o motor sempre regulado, com os bicos injetores limpos. Recomendam-se revisões anuais ou a cada 30.000 km, o que ocorrer primeiro.
Fonte: Revista Quatro Rodas (dez/2004) |
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